Na segunda metade do séc. I a.C. Olisipo recebe o cognome de Felicitas Iulia, sendo elevada à categoria jurídico administrativa de municipium civium Romanorum, estatuto que lhe foi atribuído por Júlio César ou Octaviano. A partir dessa altura, e durante cerca de três séculos, a cidade viveu um período de paz e prosperidade que foi determinante na consolidação política desta parte ocidental do Império. É neste período que o município olisiponense vai promover a construção de importantes edifícios públicos (fóruns, teatros, templos, termas, mercados, etc.), de que estas Galerias, a par com as ruínas do Teatro Romano (localizadas na encosta da colina do Castelo),constituem um importante testemunho que ainda hoje persiste, assinalando uma fase de grande expansão urbana.
Consequentemente,
Olisipo vai conhecer um significativo incremento das suas funções comercial e
mercantil, obrigando a que a cidade encontre respostas na criação de estruturas
de apoio a essas mesmas actividades, designadamente a portuária, promovendo-se
então a ocupação do esteiro onde actualmente se localiza a Baixa. A este
propósito, não será de mais lembrar que Lisboa era então o porto mais ocidental
do Império, fazendo a ponte entre o Mediterrâneo e o Atlântico Norte.
De acordo
com a opinião mais recente dos especialistas, a construção destas galerias,
terá correspondido a uma solução de engenharia, denominada por “criptopórtico”,
para fazer face à pouca consistência dos solos nesta área ribeirinha da cidade.
A estrutura que hoje é possível visitar teria primitivamente, uma maior
dimensão do que a que actualmente se conhece. Tudo leva a crer que a mesma
definiria uma grande plataforma artificial, nivelada, sobre a qual terão sido
construídos diversos edifícios. Infelizmente nada restou dessas construções,
pelo que apenas é possível conjecturar a presença de estruturas que, de algum
modo, se relacionariam com a função de porto sendo, nesse sentido, muito
provável a existência de um fórum mercantil, de um ou mais templos, etc. Destas
construções nada se sabe pois nenhum indício permaneceu, mantendo-se contudo, a
presença parcial desta infraestrutura que, ainda hoje, sustenta alguns dos
edifícios pombalinos nesta área da Baixa. A função para a qual foi criada
continua pois, a manter-se e a cumprir o seu objectivo.
Durante toda a Idade
Média e Moderna, concretamente até ao terramoto de 1755, não existe qualquer
referência documental directa às Galerias o que leva a crer que a mesma tenha
permanecido oculta e votada ao esquecimento. Apenas em 1770, na sequência da reconstrução
da cidade após o terramoto, as Galerias serão identificadas e interpretadas
como uma preexistência de época anterior.
As Galerias
Romanas constituem pois um importante elemento histórico e patrimonial de
Lisboa, sendo um dos testemunhos mais relevantes da antiga urbe de Olisipo.
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