sábado, 14 de setembro de 2013

Galerias romanas

As Galerias Romanas da Rua da Prata em Lisboa terão sido edificadas nos inícios do século I d.C., num período de afirmação e consolidação da presença romana no actual território português. A presença romana na Península Ibérica remonta ao período da Segunda Guerra Púnica que opôs Roma a Cartago. A ocupação de Olisipo terá ocorrido, segundo as fontes escritas, apenas por volta de 138 a.C., quando era governador da Hispânia Ulterior, Décimo Júnio Bruto. Lisboa seria já à altura um importante entreposto comercial da costa ocidental europeia, que se terá desenvolvido durante o I milénio a.C., em resultado dos contatos comerciais com o Mediterrâneo, essencialmente com Fenícios e, posteriormente, Cartagineses.

Na segunda metade do séc. I a.C. Olisipo recebe o cognome de Felicitas Iulia, sendo elevada à categoria jurídico administrativa de municipium civium Romanorum, estatuto que lhe foi atribuído por Júlio César ou Octaviano. A partir dessa altura, e durante cerca de três séculos, a cidade viveu um período de paz e prosperidade que foi determinante na consolidação política desta parte ocidental do Império. É neste período que o município olisiponense vai promover a construção de importantes edifícios públicos (fóruns, teatros, templos, termas, mercados, etc.), de que estas Galerias, a par com as ruínas do Teatro Romano (localizadas na encosta da colina do Castelo),constituem um importante testemunho que ainda hoje persiste, assinalando uma fase de grande expansão urbana.

Consequentemente, Olisipo vai conhecer um significativo incremento das suas funções comercial e mercantil, obrigando a que a cidade encontre respostas na criação de estruturas de apoio a essas mesmas actividades, designadamente a portuária, promovendo-se então a ocupação do esteiro onde actualmente se localiza a Baixa. A este propósito, não será de mais lembrar que Lisboa era então o porto mais ocidental do Império, fazendo a ponte entre o Mediterrâneo e o Atlântico Norte.
 
De acordo com a opinião mais recente dos especialistas, a construção destas galerias, terá correspondido a uma solução de engenharia, denominada por “criptopórtico”, para fazer face à pouca consistência dos solos nesta área ribeirinha da cidade. A estrutura que hoje é possível visitar teria primitivamente, uma maior dimensão do que a que actualmente se conhece. Tudo leva a crer que a mesma definiria uma grande plataforma artificial, nivelada, sobre a qual terão sido construídos diversos edifícios. Infelizmente nada restou dessas construções, pelo que apenas é possível conjecturar a presença de estruturas que, de algum modo, se relacionariam com a função de porto sendo, nesse sentido, muito provável a existência de um fórum mercantil, de um ou mais templos, etc. Destas construções nada se sabe pois nenhum indício permaneceu, mantendo-se contudo, a presença parcial desta infraestrutura que, ainda hoje, sustenta alguns dos edifícios pombalinos nesta área da Baixa. A função para a qual foi criada continua pois, a manter-se e a cumprir o seu objectivo.
 
Durante toda a Idade Média e Moderna, concretamente até ao terramoto de 1755, não existe qualquer referência documental directa às Galerias o que leva a crer que a mesma tenha permanecido oculta e votada ao esquecimento. Apenas em 1770, na sequência da reconstrução da cidade após o terramoto, as Galerias serão identificadas e interpretadas como uma preexistência de época anterior.

As Galerias Romanas constituem pois um importante elemento histórico e patrimonial de Lisboa, sendo um dos testemunhos mais relevantes da antiga urbe de Olisipo.
 
 
As Galerias Romanas, escondidas "debaixo" da Rua da Prata, estarão abertas para visita ao publico nos dias 20, 21 e 22 de setembro.
Três dias, uma oportunidade única!
Aproveitem ;)

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